O amado irmão Rodrigo deixou no nosso blog uma pergunta sobre este assunto, tendo também questionado um psicólogo clínico do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos), uma instituição digna de respeito por todos nós.
Como o debate ficou rico, retrato abaixo o teor completo dos e-mails, inclusive a minha resposta ao Rodrigo, enviada em 8/4, que consta logo após comentários do especialista cristão consultado.
Seguem os textos:
Pergunta:
Sabendo-se que o autoprazer sexual (onanismo) é pecado tanto no AT (Lv. 15:2 e 16, 18), bem como no NT (Mt. 5:28 e Hb. 13:4) devido aos pensamentos impuros que essa atitude acarretaria. Como o homem solteiro, viúvo ou separado deve fazer para expelir o excesso de sêmen que fica acumulado no seu corpo sem transgredir a Palavra de Deus?
Faço essa pergunta porque sou cristão, faço tratamento para depressão, fobia social e TOC e não gostaria de pecar contra Deus.
Prezado Dr. Zenon (CPPC), bom dia!
Por favor, quando possível, esclareça-me a pegunta abaixo:
Sabendo-se que o autoprazer sexual (onanismo) é pecado tanto no ANTIGO TESTAMENTO (Lv. 15:2 e 16, 18), bem como no NOVO TESTAMENTO (Mt. 5:28 e Hb. 13:4) devido aos pensamentos impuros que essa atitude acarretaria.
Como o homem solteiro, viúvo ou separado deve fazer para expelir o excesso de sêmen que fica acumulado no seu corpo sem transgredir a Palavra de Deus?
Esclareço que faço essa pergunta pelo seguinte motivo:
Sou cristão, faço tratamento psiquiátrico para depressão, fobia social e TOC.
Durante algum tempo, fiz tratamento com um psicólogo secular e na visão dele o onanismo e a fornicação são situações normais que uma pessoa pode e deve passar naturalmente, não sendo pecado nenhum cometê-los.
Por favor, ajude-me!
Resposta do Dr. Zenon Lotufo Jr. (CPPC):
Caro Rodrigo:
Não existe uma única palavra na Bíblia a respeito da masturbação. O pecado de Onan, de onde tiraram a palavra onanismo, não tem nada a ver com masturbação, com também não tem nenhum dos textos que você menciona. Os textos do AT que você cita referem-se a impureza ritual e jamais moral; relações sexuais e menstruação tornam o homem ou a mulher impuros ritualmente; nada têm a ver com pecado. Outras recomendações quanto à impureza do homem que tem fluxo referem-se a doenças genitais e por isso deve-se evitar contato com ele ou com lugares sobre os quais se sentou. Hebreus refere-se a fornicação (relações sexuais extraconjugais) e adultério, e não a masturbação. O texto de Mateus diz respeito a planejar possuir uma mulher de forma desonesta e não à simples excitação causada pelo pensamento em uma mulher atraente, pensamento que, em si, não vai levar a nada de concreto. O planejamento, sim, envolve uma intenção e só não é consumada a ação por não haver oportunidade.
Já a fornicação, de fato é considerada pecado no NT, sobretudo por ser uma relação sem responsabilidade e, sobretudo, sem amor, na qual uma pessoa trata outra apenas como um objeto.
Lembre-se, acima de tudo, que o Deus que Jesus nos mostra é um Deus de graça e não de leis, proibições e castigos.
Um fraternal abraço,
Dr. Zenon Lotufo Jr.
De: RODRIGO ASSALY
Enviada em: quinta-feira, 8 de abril de 2010 07:41
Para: PR. ANOR AFONSO SÉRIO
Assunto: A BÍBLIA E O ONANISMO
Prezado pr. Anor,
Olá, a paz do Senhor Jesus!
Deixei a pergunta abaixo no blog, como sei que o tempo do senhor é muito escasso para responder a todas as perguntas que estão lá resolvi enviá-la também ao Dr. Zenon Lotufo que é psicólogo clínico do CPPC (Corpo de psicólogos e psiquiatras cristãos).
Gostaria que o senhor, na condição de pastor, comentasse a resposta dele sobretudo a resposta sobre o texto de Mt. 5:28.
Muito obrigado!
Rodrigo Assaly.
De: Anor Afonso Serio
Enviada em: quinta-feira, 8 de abril de 2010 23:36
Para: 'RODRIGO ASSALY'
Assunto: RES: A BÍBLIA E O ONANISMO
Amado Rodrigo, A Paz do Senhor Jesus Cristo,
Perdoe-me por não ter respondido antes, mas estou elaborando as apostilas do curso de Escatologia para a Academia Teológica, e como também trabalho secularmente, o tempo que resta é muito escasso.
Concordo com o posicionamento do Dr. Zenon quando afirma que a Bíblia Sagrada não tem nenhuma referência explícita à masturbação. O termo onanismo não é correto para o ato, pois em Gn. 38:9, Onã lançava o sêmen por terra
quando possuía a mulher de seu irmão falecido, para deixar descendentes dela (costume chamado “casamento de levirato”,
levir é termo latino que significa “cunhado”). Na masturbação ninguém é possuída.
Mas, o que significa a afirmação de Jesus em Mt. 5:28 que quem olhar para uma mulher para desejá-la já comete adultério?
Ele não quis dizer que é adultério um olhar com relance passageiro, mas sim aquele olhar fixo e calculado que provoca desejo sexual. Jesus diz ser essa uma forma de adultério, ainda que somente “no seu coração”.
O cristão tem o enorme desafio de confrontar sua fraqueza com o pecado que ainda nos rodeia. Mas Cristo enviou o Consolador Ajudador, o Espírito Santo, que sabendo que somos ainda pecadores nos dá forças para buscar o equilíbrio entre a liberdade obtida pelo conhecimento da Verdade (Jo. 8:32), com a responsabilidade de ser luz do mundo e sal da terra.(Mt. 5:13-14).
Não afirmo isto para desanimarmos diante de nossas fraquezas, mas sim que fiquemos alertas para não sermos dominados por qualquer coisa que nos leve ao ponto anterior à obtenção da Liberdade dada por Cristo graciosamente a nós. Assim sendo, nem coisas boas nem ruins podem dominar-nos a ponto de termos outro “senhor".
Tiago ensina em Tg. 1:2-18 que passamos por diversas provações, mas Deus não tenta ninguém. A tentação não é pecado, a consumação o é. E a masturbação está no campo da tentação.
João ensina em 1 Jo. 3:21 um importante libelo contra a auto-condenação: “Amados, se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus”.
Porém, o versículo que deve ser balizador para nós nestas situações é 1 Co. 6:12: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”.
Paulo está provavelmente citando alguns da congregação de Corinto que se jactavam do direito de fazer tudo quanto quisessem. O apóstolo contrapõe-se, observando que essa “liberdade” de ação sem limites talvez não seja benéfica para o cristão, que não deve deixar que nada o domine, pois a pessoa pode ficar escravizada às ações de que participa “livremente”.
Em Cristo, e por Cristo,
Pr. Anor Afonso Serio