segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O QUE É O LEVIATÃ?

A amada Cinthia Bassit colocou as questões abaixo para debate:

Caro Reverendo, a paz e a graça do Senhor!

Por favor, responda-me as seguintes dúvidas:

a) Quem é o famoso Leviatã tão temido pelos judeus (Jó. 3:8 e Sl. 104:26)?

b) Por que alguns pregadores insistem em dizer que na presença de Deus até a tristeza salta de alegria, se o texto de Jó 41:22 se refere ao Leviatã e não a Deus?

Muito obrigada por tudo e que Deus o abençoe!

Fraternalmente em Cristo.

Cínthia Bassit

2 comentários:

  1. Amada Cinthia, a Graça e Paz de Jesus Cristo,

    Respondo:

    a) Leviatã é um temível monstro mitológico das profundezas do mar, uma serpente aquática, tirada dos mitos de Canaã.

    Jó sabe que o Leviatã é possante, mas Deus é infinitamente mais poderoso (Sl. 104:26).

    b) Um erro de interpretação tão claro como este é devido à falta de estudo da Palavra de Deus. Repetem frases como papagaios e nunca querem descobrir por eles mesmos o significado do versículo.

    Quem não lê o contexto (versículos antes e depois do texto), usa a Bíblia Sagrada para algum pretexto.

    Em Cristo, e por Cristo,

    Pr. Anor Afonso Serio

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  2. Cínthia, olá!
    Leia o texto abaixo escrito pelo Pr. Marcelo de Oliveira, ele poderá lhe esclarecer o assunto.

    Você já deve ter feito a seguinte pergunta: Quem foi que criou os monstros marinhos? De onde eles vieram? Eles de fato existiram?

    Esses grandes monstros marinhos, crocodilos, serpentes eram animais mitológicos que os antigos pensavam habitar o mar, e simbolizavam o mal?

    Quanto mais estudo as Escrituras, mais “descubro” suas riquezas e preciosidades. Estas criaturas mencionadas acima são mencionadas em muitas passagens do Antigo Testamento. Estudiosos como John Grammie dividem-se entre a opinião de que o autor do livro de Jó entendia que as criaturas descritas em seu livro (Jó 40.15-32; 41.1-43) eram monstros míticos e a de que eram animas naturais. Outros como Nicolas Kiessling disse: “os mais temíveis dragões do Antigo Testamento, tanin, leviatã, raabe, são horríveis, mas vagas encarnações do mal, oponentes de Deus e do homem. Eles habitam as profundezas dos mares e são com freqüência empregados como metáforas oportunas de reis pagãos hostis aos filhos de Israel”.




    A palavra hebraica תַּנִּינִם (tâninim) ocorre 15 vezes no Antigo Testamento, referindo-se a diferentes tipos de criaturas: um monstro marinho que Deus destruiu ou destruirá (Sl. 74.13; Is. 27.1; 51.9); monstros marinhos em geral (Gn 1.21; Jó 7.12; Sl 148.7); uma metáfora da Babilônia (Jr 51.34) ou do Egito (Ez. 29.3; 32.3) como inimigo de Israel; e serpentes (Ex 7.9,10,12; Sl 91.13). Leviatã (Jó 3.8; 41.1; Sl 74.14; 104.26; Is 27.1) e “raabe” (Jó 9.13; 26.12; Sl 87.4; 89.10) são usados no Antigo Testamento como paralelos de “tanin”.

    Em Gênesis 1.21 diz que Deus criou os monstros marinhos, tâninim significa que Deus criou e controla tudo o que há no universo, mesmo o que os outros povos consideravam símbolos do mal. As pessoas nada a tinham a temer no mundo. Deus possui os poderes do mal em suas mãos. Ele os fez e lhes deu nome. Dois outros aspectos dessa passagem são significativas: (1) o verbo hebraico בָּרָא (bara’), “criou”, é empregado só na segunda parte do capítulo 1 de Gênesis. A razão provável é que a vida animal fosse considerada um degrau acima do restante da criação até aquele momento. (2) a palavra בָרֶךְ ( barekh) “benção” é usada pela primeira vez nesse capítulo (Gn 1.22).


    Westermann observou que a “benção” aqui inclui o poder de propagar a espécie. Este é o significado básico da palavra benção: o poder de ser fértil. É evidente que a vida do ser vivente, seja do homem, seja do animal, inclui a capacidade de propagação. Sem isso não seria uma vida real.

    O sexto dia da criação (Gn 1.24-31) testemunha a criação dos animais terrestres e dos homens com uma diferença notável na descrição da origem dos dois. Os animais terrestres vêm da terra: “produzam a terra…” (v. 24). Mas o homem é objeto íntimo e direto da obra criadora de Deus: “Façamos o homem à nossa imagem” (v. 26).
    A palavra “criar”, בָּרָא (bara’), ocorre três vezes no versículo 27 para deixar claro que o ponto culminante e alvo da criação divina é atingido na criação dos seres humanos. As pessoas e os animais foram criados no mesmo dia e ambos são chamados distintamente “nephesh hayâ,” – “seres viventes”. Cada um possui a capacidade de propagação da espécie. Ainda assim, os homens destacam-se como seres ímpares, feitos à imagem de Deus. Eles recebem domínio sobre todos os outros seres criados.

    A paz a todos!
    Nílson de Oliveira

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