O amado Irmão Nilson Oliver colocou a seguinte questão para debate:
Caro Pastor Anor, a paz e a graça do Senhor Jesus!
Por favor, responda-me o seguinte:
a) Com relação ao assunto profecias, na nossa apostila de escatologia, na página 4, está escrito assim:
“Sua importância nas Escrituras é estabelecida pelo fato de que 25% (vinte e cinco por cento) da Bíblia é composta de profecias. Convém mencionar que todas elas, com uma única exceção, são literais”.
Qual é essa profecia, não literal, que é a exceção citada na apostila?
b) Por que o calvinismo interpreta toda a Bíblia de maneira literal e quando chega no último livro, o Apocalipse, ela é interpretada simbolicamente? Isso não é uma incoerência da parte dos calvinistas?
Muito obrigado e que Deus o abençoe sempre mais!
Respeitosamente,
Nilson Óliver.
Amado Nilson, a Paz do Senhor Jesus Cristo,
ResponderExcluirVamos às respostas:
1) Ez. Cap. 6 - Profecia contra os montes de Israel
2) A regra de ouro que deve ser aplicada por para uma boa hermenêutica dos textos bíblicos, quer por calvinistas, quer por arminianos, é:
Se a interpretação literal do texto bíblico leva ao seu entendimento, abandone a busca de outro tipo de interpretação (alegórica, simbólica ou figurada).
Desta forma, a incoerência se dará quando alguém força um método de interpretação quando o outro esclarece melhor o leitor.
A prioridade é sempre da interpretação literal, mas temos que ter equilíbrio e bom senso para identificar aquelas passagens que são efetivamente simbólicas, como muitos textos de Ezequiel, Daniel, Zacarias e Apocalipse.
Em Cristo, e por Cristo,
Pr. Anor Afonso Serio
Os puritanos escreveram sobre os princípios de interpretação na Confissão de Fé de Westminster. O capítulo I da Confissão trata das Escrituras, e neles, os puritanos expressaram suas convicções quanto à correta interpretação das Escrituras. Em resumo, são estas:
ResponderExcluir1. Para evitar que Sua vontade e a verdade se perdessem pela corrupção dos homens e a malícia de Satanás, Deus fê-la escrever nas Escrituras Sagradas. A inspiração das Escrituras resulta no fato de que elas expressam fielmente a vontade de Deus, a verdade divina.
2. A possibilidade de conhecermos o sentido das Escrituras, sentido esse pretendido por Deus através do autor humano
3. O Espírito Santo garante a compreensão salvadora das coisas reveladas na palavra de Deus, as Escrituras
4. O sentido das Escrituras é tão claramente exposto e explicado que a suficiente compreensão das mesmas pode ser alcançada através dos meios ordinários (pregação, leitura e oração)
5. Há somente um sentido verdadeiro e pleno em cada texto da Escritura e não múltiplos sentidos, e esse sentido pode ser alcançado e compreendido pela Igreja
6. Exatamente porque as Escrituras não têm sentidos múltiplos é que as mesmas são o supremo tribunal em controvérsias religiosas, aos quais a Igreja sempre deve apelar
7. A vontade de Deus está claramente expressa nas Escrituras e ao alcance da igreja, de forma que a mesma pode distinguir entre culto aceitável a Deus e os que não são.
8. Apesar dos eleitos serem humanos e pecadores, recebem de Deus o que é necessário para compreenderem as coisas de Deus para a salvação
Esse pequeno resumo dos princípios de interpretação bíblica que se encontram na Confissão de Fé de Westminster serve para mostrar que os puritanos, seguindo a linha de interpretação dos reformadores, entenderam que a única maneira de interpretar as Escrituras sem violar a sua integridade, propósito e escopo, era procurar entender o sentido que os autores humanos haviam pretendido transmitir. Reconheciam que essa nem sempre era uma tarefa fácil, mas confiavam que, com a ajuda da ação iluminadora do Espírito, do conhecimento das línguas originais e do contexto histórico, poderiam alcançar esse sentido. A teologia que temos na Confissão de Fé de Westminster é o resultado do emprego sistemático dessa hermenêutica.
Fonte: monergismo.net.br