O amado Nilson, enviou-nos a seguinte questão para debate:
A tradição diz que a quaresma é um costume cristão, e que ela se dá inicio na quarta-feira de cinzas logo após o carnaval.
Coincide, também, com o inicio da Campanha da Fraternidade promovida pela igreja Romana. Nesse período, os mais religiosos e fanáticos ficam 40 (quarenta) dias sem ingerir carne bovina e suína como uma forma de purificação.
1- De onde surgiu tal costume se a Bíblia diz que Jesus é o pão da vida (Jo. 6:35), o reino de Deus não é comida nem bebida (Rm. 14:17) e o que contamina é o que sai de dentro e não o que entra “carne”. Mt. 15;11?
Obrigado!
Nilson Oliver.
Amado Nilson, Graça e Paz de Jesus Cristo,
ResponderExcluirRespondo:
A palavra Quaresma vem do latim "quadragésima" e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a maior festa cristã: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV. Vejamos alguns antecedentes:
O NÚMER0 40 - No Antigo Testamento
O número 40, entre os israelitas, certamente, possui um significado teológico que tem sua origem na própria história do povo. No Antigo Testamento, o número 40 ocorre muitas vezes relacionado a momentos significativos da história bíblica.
Entre tantas ocorrências, quatro são destaques no Antigo Testamento: o período do dilúvio foi de 40 dias (Gn. 7:4); os hebreus caminharam 40 anos pelos desertos até atingir Canaã (Js. 5,6); a duração do bom reinado de Davi foi de 40 anos (II Sm. 5:4); Elias caminhou 40 dias para encontrar com Deus no Sinai (l R.s 19:8).
O NÚMER0 40 - No Novo Testamento
No NT, o simbolismo do número 40 continua. Por exemplo, Jesus recolhe-se no deserto por 40 dias e 40 noites (Mt. 4:3; Mc. 1:1; Lc. 4:2).
Outra ocorrência significativa na vida e obra de Jesus, é mencionada por Atos dos Apóstolos: Jesus, após a ressurreição, permaneceu na terra 40 dias (At. 1:3). Certamente, o número 40 lembra a difícil, mas significativa caminhada do poo de Israel no deserto.
Essencialmente, a Quaresma é um período de retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem (40 dias) em oração e para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo.
Por volta de 200 d.C., os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum.
Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias.
Assim surgiu a Quaresma.
Este retiro espiritual levou à prática do jejum que é uma prática bastante mais antiga.
A palavra jejum (hebr. sum) é a abstenção de alimento por um espaço de tempo. O jejum era um elemento da prática religiosa israelita.
Todavia, ele era também praticado por pessoas de muitas religiões antigas.
No Antigo Testamento, o jejum tinha alguns objetivos:
1.Mostrar o sentimento de arrependimento de alguém, por um gesto indevido. Essa atitude de arrependimento caracteriza-se como um gesto de auto humilhação (Ne 9:1-3; Jr 14:12; Jl 1:14; S1 35:13-14);
2.É um exercício de fé destinado a chamar a atenção de Deus, em vista de um perigo iminente (II Sm 12:16-25; Jr 36:9; Jn 3,5);
3.Sinalizar o pesar de alguém, em vista do falecimento de um ente querido (l Sm. 31:13; 2 Sm. 1:12; 3:35) ou de um desastre nacional (Ne. 1:4);
4.Acontece quando alguém tem que tomar uma decisão difícil ou iniciar uma missão importante e espinhosa(Et. 4:16).
A prática do jejum não teve, na Bíblia Sagrada, aprovação unânime do povo. Alguns profetas criticaram a prática do jejum, porque ele tinha se tornado um rito meramente externo sem sentimento interior (Is. 58:1-14; Jr. 14:2; Zc. 7:1-7).
Após a destruição de Jerusalém (587 a.C.) e o exílio na Babilônia, houve uma enorme valorização da prática do jejum.
No Novo Testamento, o jejum é pouco citado, provavelmente em razão da excessiva valorização dada pelos fariseus.
Jesus mostrou-se indiferente quanto ao jejum (Mt. 6:16-18; Mc. 2:18-20), mas não o excluiu (Mt. 4:1-11). Antes, sugeriu que ele seja praticado às ocultas, em casa, para que ele não se torne um meio de promoção pessoal.
A Igreja Primitiva apenas adotou o jejum (At .13.2-3; 14.23) como preparação para a escolha de seus líderes, na maioria, judeus.
Nas Cartas Apostólicas, que sistematizaram as doutrinas a serem seguidas no cristianismo, o jejum não é mencionado como prática.
Em Cristo, e por Cristo,
Pr. Anor Afonso Serio
Pastor Anor olá!
ResponderExcluirA paz do Senhor a todos os irmãos do blog.
Por favor, a minha pergunta é:
Que tipo de conta os biblicistas fizeram para chamar o texto de (Mateus 25:14-30) de "A parábola do DEZ talentos, e qual é o significado dela?
Muito obrigado!
Nílson Óliver.
Amado Nilson, Graça e Paz de Jesus Cristo,
ResponderExcluirVou responder sua última questão em um novo post para que todos possam compartilhar.
Em Cristo, e por Cristo,