A amada Stefany enviou-nos e-mail com a seguinte questão:
Professor Anor, olá!
Tenho uma difícil pergunta para lhe fazer:
Com base no texto de Rm.8:30 "Os que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou".
Os calvinistas dizem que o ser humano já nasce eleito para a salvação ou perdição.
Os arminianos dizem que o homem tem livre-arbítrio, e é esse arbítrio que determinará o destino do homem.
Eu, particularmente, penso que o que determina o destino do homem é a fé que ele tem em Deus.
Tentando traçar um equilibrio entre essas duas posições, estou errado em entender que Deus, na sua pré-ciência, elegeu todos os seres humanos para a salvação e, de ante mão, ele já sabia quem seriam os salvos e, esses sim, seriam os eleitos e escolhidos de Deus?
Muito obrigada!
Stefany Garcia
Tenho uma difícil pergunta para lhe fazer:
Com base no texto de Rm.8:30 "Os que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou".
Os calvinistas dizem que o ser humano já nasce eleito para a salvação ou perdição.
Os arminianos dizem que o homem tem livre-arbítrio, e é esse arbítrio que determinará o destino do homem.
Eu, particularmente, penso que o que determina o destino do homem é a fé que ele tem em Deus.
Tentando traçar um equilibrio entre essas duas posições, estou errado em entender que Deus, na sua pré-ciência, elegeu todos os seres humanos para a salvação e, de ante mão, ele já sabia quem seriam os salvos e, esses sim, seriam os eleitos e escolhidos de Deus?
Muito obrigada!
Stefany Garcia
Amada Stefany, Graça e Paz da parte do Senhor,
ResponderExcluirRealmente esta é uma difícil questão, que nem mesmo um gigante espiritual chamado de "Doutor da Igreja", que foi Agostinho de Hipona, conseguiu resolver.
A Bíblia Sagrada dá suporte aos dois conceitos, mas não ao mal uso que fazem deles tanto os calvinistas quanto os arminianos, e muito menos aos hiper-calvinistas e arminianos extremados.
As visões diferenciadas entre esses dois grupos colocam em contraposição, erroneamente, a Soberania de Deus e a liberdade humana.
Se aqui em Rm. 8:30 temos suporte à Soberania de Deus, um pouco mais adiante em Rm. 9:30 a ênfase recai sobre a liberdade humana.
Por mais paradoxal que isto pareça, porém, ambas são verdadeiras.
Sem Sua Soberania e Onipotência para determinar dua Vontade, Deus não seria Deus, e sem liberdade e responsabilidade para decidir, o ser humano não seria um ser humano.
Se liquidássemos uma verdade com a outra, ou seja, se sacrificássemos a imagem bíblica de Deus por causa do ser humano, ou se deixássemos de lado a figura bíblica do ser humano por causa de Deus, para daí elaborar uma cosmovisão que nos serve, a partir de uma verdade unilateral e isolada, cairíamos em terreno estéril, onde a Verdade não frutifica.
O que importa realmente é que Deus elegeu, mas elegeu a quem, e de que maneira?
Ele elegeu através de Sua Presciência o Seu povo, a quem o apóstolo Paulo se dirige suas cartas.
Paulo está ensinando esses versículos a quem? Endereçou as cartas para todas as pessoas?
Absolutamente, não! Ele escreveu esses versos para a Igreja de Jesus Cristo, e este é o o povo eleito de Deus, e não pessoas individuais, pois "Deus não faz acepção de pessoas" (Romanos 2:11), ensino que é colunar tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento.
O que a Bíblia diz sobre a eleição para a salvação?
Segundo a Palavra de Deus, tal escolha foi, primeiramente, coletiva.
Deus elegeu em Cristo o seu povo (Ef 1:4-5; I Pe 2.9). Daí Jesus ter dito: “... edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18).
Isso significa que o Corpo de Cristo foi eleito, escolhido, antes da fundação do mundo.
Nunca houve eleição de alguns indivíduos para a salvação e de outros para a perdição, partindo da analise equilibrada das posições arminiana e calvinista, e com base no que está exposto na Bíblia Sagrada, à luz do contexto.
Então não existe eleição individual?
Não. O plano de salvação abrange todos os indivíduos que vão sendo incluídos na Igreja por meio da fé na obra de Cristo, como lemos em Atos 2:47: “... acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”.
A Igreja, como Corpo de Cristo, já foi eleita, porém ainda há lugar para a entrada de mais indivíduos nesse Corpo: “... quem quiser tome de graça da água da vida” (Ap 22.17).
Jesus enfatizou que a eleição individual ocorre, mas somente para quem aceita o seu chamamento geral para a salvação (Mt 11:28-30).
Ao afirmar que “... muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”, Ele revelou que, das multidões que ouvem o evangelho, apenas uma parte o aceita e o segue (Mt 22:14).
De acordo com Ef 1.5, o Senhor “... nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.
Quando os indivíduos se tornam efetivamente filhos de Deus e parte integrante do povo eleito?
A resposta está em João 1.12: “... a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome”.
Em Cristo, e por Cristo,
Pr. Anor Afonso Serio
O amado Nilson Oliver enviou o seguinte e-mail sobre o assunto:
ResponderExcluirPastor Anor, paz do Senhor Jesus!
As suas explanações foram muito claras, objetivas e interessantes.
A meu modo de ver as duas posições se completam entre si, e, na verdade, não há divergência nenhuma entre elas, conforme sugerem os extremados calvinistas e arminianos.
Aproveitando a ocasião gostaria de deixar a seguinte questão:
Judas Iscariotes não foi eleito para a perdição, isto é, ele teve a livre agência de querer trair a Cristo.
Se ele não tivesse traído ao Senhor Jesus Cristo, a história da Bíblia Sagrada seria outra ou Deus providenciaria outro "Judas" para cumprir as profecias?
Muito obrigado!
Nílson Óliver.
PASTOR ANOR, PAZ DO SENHOR JESUS.
ResponderExcluirAinda sobre essa difícil questão, gostaria de fazer-lhe uma pergunta pessoal.
Dos cinco pontos do calvinismo extremado relacionado abaixo, com qual deles o senhor concorda?
1. Depravação Total – O calvinismo diz que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente (para salvar-se), dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve vivificar o homem, antes que este possa crer em Cristo.
2. Eleição Incondicional – O calvinismo sustenta que o pré-conhecimento de Deus está baseado no propósito ou no plano de Deus, de modo que a eleição não está baseada em alguma condição imaginária inventada pelo homem, mas resulta da livre vontade do Criador à parte de qualquer obra de fé do homem espiritualmente morto.
3. Expiação Limitada – O calvinismo diz que Cristo morreu para salvar pessoas determinadas, que lhe foram dadas pelo Pai desde toda a eternidade. Sua morte, portanto, foi cem por cento bem sucedida, porque todos aqueles pelos quais ele não morreu receberão a “justiça” de Deus, quando forem lançados no inferno.
4. Graça Irresistível – O calvinismo entende que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que sua graça é irresistível. Os calvinistas não querem significar com isso que Deus esmaga a vontade obstinada do homem como um gigantesco rolo compressor! A graça irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido como regeneração. Desde que todos os espíritos mortos (= alienados de Deus) são levados a Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (= regenerados) são guiados irresistivelmente para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá a seus escolhidos o Espírito de Vida. No momento que Deus age nos eleitos, a polaridade espiritual deles é mudada: Antes estavam mortos em delitos e pecados, e orientados para Satanás; agora são vivificados em Cristo, e orientados para Deus.
5. Perseverança dos Santos – O calvinismo sustenta muito simplesmente que a salvação, desde que é obra realizada inteiramente pelo Senhor – e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente, “para ser salvo” -, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos ‘perseverarão' pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra que ele começou. Por isso, os cinco pontos de TULIP incluem a Perseverança dos Santos .
Obrigada!
Stefany.
Amado Nilso, a Paz do Senhor Jesus Cristo,
ResponderExcluirRealmente as duas linhas soteriológicas (doutrina da salvação), o calvinismo e o arminianismo são biblicamente complementares, pois como expliquei anteriormente, a Palavra de Deus dá sustentação tanto para uma como para outra corrente doutrinária.
Consequentemente, digamos que a Palavra de Deus é, por assim dizer, "calviniana", e portanto, eu também o sou.
Quanto à sua questão, respondo o seguinte:
Se Judas Iscariotes tivesse sido eleito para a perdição, como "filho da desobediência" como afirmam os calvinistas, Jesus Cristo saberia disto de antemão, porque Ele é Deus, e é Onisciente, sabe de todas as coisas.
Ora, Jesus Cristo chamou a Judas Iscariotes para o círculo íntimo dos 12 discípulos, dando-lhe autoridade para expulsar espíritos imundos e curar todas as doenças e enfermidades (Mt. 10:1-2). Conviveu e orientou Judas Iscariotes durante três anos de Seu ministério terreno, o que é uma prova que ele não desistia de investir em Judas Iscariotes, como Ele investe em mim, e em cada um dos que seguem a Cristo, por pior que sejamos.
A decisão de trair a causa de Cristo foi única e exclusivamente de Judas Iscariotes, que depois de ter traído o Mestre, não se arrependeu amargamente como Pedro o fez quando o negou, e isto foi reputado por justiça e Pedro foi perdoado. Judas Iscariotes, porém, não se arrependeu, ficou apenas com remorso, dependendo apenas dele mesmo, e não se perdoou, suicidando-se.
O arrependimento vem do coração do homem (é a parte humana da regeneração) e muda tanto o coração como a mente; o remorso vem apenas da cabeça, dos pensamentos e de filosias humanas, e não muda nada.
No decreto de Deus alguém deveria ser o ator do "papel" de "filho da perdição" para levar Jesus Cristo à cruz do Calvário, porque foi para isto que Ele veio, para o perdão dos nossos pecados (Efésios 1:7; Mateus 26:28).
Ninguém matou Jesus Cristo! Ele deu a Sua vida para retomá-la (João 10:17).
Se Judas Iscariotes tivesse se arrependido como Pedro o fez, e procurado o Mestre no último minuto, digamos na Via Dolorosa, enquanto Ele carregava a cruz, teria sido perdoado.
Caso tivesse se arrependido antes da traição, Deus providenciaria um outro ator para fazer o "papel" de "filho da perdição", pois "nenhum dos teus planos pode ser frustrado." (Jó. 42:2b).
Em Cristo, e por Cristo,
Pr. Anor Afonso Serio
Amada Stefany, a Paz do Senhor Jesus Cristo,
ResponderExcluirEstudamos este assunto em nossa apostila de Soteriologia - A Doutrina da Salvação, e sempre faço questão que os alunos aprendam todas as linhas doutrinárias para fazerem sua teologia, pois ela deve ser pessoal, e não imposta.
Primeiramente devo esclarecer que os 5 pontos do Calvinismo surgiu apenas no Sínodo de Dort, em Dortrecht, na Holanda, em 1618-1619, que teve como objetivo precípuo de contra-atacar o "Memorial Arminiano" , os 5 pontos fundamentais do arminianismo, publicado bem antes, em 1610, após a morte de Armínio.
Assim, os "cinco pontos do calvinismo", foram na realidade uma resposta (ou contra reforma protestante?) aos cinco pontos do Memorial Arminiano.
Dos 5 pontos do Calvinismo, não creio nos itens 4 e 5, "Graça irresistível) e "Perseverança dos Santos".
A Graça de Deus é bendita, mas pode sim, ser resistida. E basta ter um pouco de experiência evangelística para comprovar este fato. A minha própria conversão, como a de muitos, foi obtida após muita resistência; demorou muito tempo para que o convencimento do Espírito Santo viesse sobre mim, e tenho certeza que isto ocorreu com muitos que nos leem, fora tantos que continuam resistindo até hoje.
Quanto à "Perseverança dos Santos", acredito sim que podemos perder a salvação, mas somente quando apostatamos da fé, ou seja, por livre e espontânea decisão, deixar os caminhos do Senhor, mesmo conhecendo a Sua Palavra e Seu amor (Hb. 6:4-6).
Em Cristo, e por Cristo,
Pr. Anor Afonso Serio
Amigos do blog, oi!
ResponderExcluirTenho uma pergunta para fazer-lhes:
Onde será a localização geográfica do lago de fogo e enxofre após o julgamento dos impios?
Eu agradeço!
Sofia.
Amigos, oi!
ResponderExcluirA que línguas o Apóstolo Paulo se refere quando diz em 1Co 13:8 que as línguas cessarão e quem é o imperfeito que desaparecerá em 1Co 13:10?
Eu, Sofia, agradeço.
Amada Sofia, Graça e Paz da parte do Senhor Jesus Cristo,
ResponderExcluirVamos à resposta:
As linguas são as mesmas do verso 1, ou seja, Paulo está falando do dom espiritual de linguas estranhas.Veja como está em conformidade também com Mc. 16:47.
O que ele afirma então em I Co. 13:8 é que os dons como línguas estranhas, profecias e o conhecimento desaparecerão.
Esses três passarão porque são parciais em sua natureza (v. 9), sendo desnecessários quando vier o que é perfeito (v. 10).
Em Cristo, e por Cristo
Amada Sofia, Graça e Paz do Senhor Jesus Cristo,
ResponderExcluirQuanto à sua pergunta sobre a localização geográfica do lago de fogo e enxofre, ou Geena, encontramos na Bíblia Sagrada que é um lugar, como o é o Céu que tem moradas eternas (Lc. 16:9).
É um lugar de "trevas exteriores", o próprio inferno, que só o Senhor Deus sabe a localização, mas que seguramente fica a uma distância inimaginável de Deus e dos salvos.
O Geena terreno era um lugar situado ao lado de Jerusalém, onde se queimava lixo e ficava dia e noite fumegando. A palavra vem da forma grega do nome geográfico hebraico “vale do Hinom”, lugar situado aos pés de Jerusalém, onde se sacrificavam crianças em homenagem a Moloque (2Rs 16:3; 21:6; Jr 32:35).
Como punição pela idolatria, Jeremias anunciou que o vale seria um lugar amaldiçoado (7:30–8:3). O vale tornou-se um símbolo da punição escatológica (Is. 66:22-24). Mais tarde tornou-se depósito de lixo de Jerusalém.
Escatologicamente, o Geena será o lugar de “depósito do lixo humano”, do diabo, e seus asseclas, que serão castigados eternamente pela sua rebeldia ao Senhor.
Em Cristo, e por Cristo,
Olá, Pastor Anor!
ResponderExcluirSobre isso gostaria de deixar a seguinte questão:
Sofonias 6:9 parece dizer que no milênio e no Estado Eterno haverá somente uma língua na terra. Exatamente como ocorria antes da Torre de Babel.
As línguas cessarão de 1Co 13:8 pode se referir a isso também, já que as línguas estranhas que Pedro e os cristãos falaram no dia de pentecostes eram línguas humanas?
Muito obrigado!
Nil Óliver.
Olá, Pastor Anor!
ResponderExcluirSobre isso gostaria de deixar a seguinte questão:
Sofonias 6:9 parece dizer que no milênio e no Estado Eterno haverá somente uma língua na terra. Exatamente como ocorria antes da Torre de Babel.
As línguas cessarão de 1Co 13:8 pode se referir a isso também, já que as línguas estranhas que Pedro e os cristãos falaram no dia de pentecostes eram línguas humanas?
Muito obrigado!
Nil Óliver.
Amado Nilson, Graça e Paz,
ResponderExcluirVou responder sua questão à parte pata todos compartilharem.
Em Cristo, e por Cristo.